Luiz M. Leitão da Cunha

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Luiz M. Leitão
da Cunha

Tudo como dantes

O governo continua inerte no tocante às ações profícuas, aos problemas cuja solução foi prometida e que, todavia, se repetem.

Mais uma criança morreu de inanição na comunidade indígena de Dourados, MS. Foi a terceira vítima em um mês; pode-se prever com tristeza e razoável grau de probabilidade que haverá mais mortes.

Dois novos trechos de estradas desintegraram-se, um na região de Nova Friburgo-RJ, onde considerável cratera abriu-se no asfalto; outro lá no Pará, cujos habitantes podem dizer que desgraça pouca é bobagem. Certamente a culpa será novamente atribuída a São Pedro.

No Estado do Pará, a próxima vítima já teve seu nome anunciado pela OAB: o frade francês Henri Rosiers, da CPT, Pastoral da Terra. Bem distante de lá, em Nova Iguaçu, baixada fluminense, outro ambientalista, Dionísio Carneiro foi executado, e como não era ninguém com potencial para causar estragos à imagem do governo aqui e lá fora, fica tudo por isto mesmo; apenas mais um na longa lista que dos que o precederam.

Agora, o Ministério Público Federal acusa o deputado federal Jader Barbalho, dizendo que “é nítida a sua participação na exploração de madeira, mogno, no Pará”.E nós, cidadãos comuns, aqui da platéia, temos o direito de duvidar que algo será feito a respeito.

A lógica dos acontecimentos é sempre a mesma, uma interminável seqüência de episódios-padrão, nos quais mudam apenas os protagonistas.

Hoje, é razoável dar razão àqueles que diziam que o PT não tem um claro programa de governo, mas tão-somente de poder.

O sempre prestimoso secretário de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, ia à China discutir “direitos humanos” – melhor teria sido dizer que ia sair de férias -; não se sabe o que pretendia ensinar ou aprender com os chineses, campeões em torturas, tribunais de exceção e execuções sumárias. Um tremendo desperdício de dinheiro público; poderia muito bem ter ido a Cuba, que fica bem mais perto, onde o camarada Fidel, o grande mestre nesta matéria, o teria hospedado gratuitamente.

Mas onde estava o secretário Nilmário quando a Irmã Dorothy suplicava por proteção? Bem, pouco importa, como de nada serviu sua tardia visita a Goiânia, onde dois mil policiais militares levaram a cabo uma ação com o sugestivo nome de “Operação Triunfo” – certamente inspirado na ridícula, jamesbondiana moda lançada pela Polícia Federal de atribuir nomes misteriosos às suas empreitadas. A PM está subordinada ao governador, que, segundo a revista Veja (23/2), garantiu aos sem-teto que não cumpriria a ordem judicial, enquanto o prefeito Iris Rezende prometeu manter os invasores no terreno e disse que não ia esquecer “seu” povo. Vê-se que não é só o governo federal que alimenta a população com ilusões.

Não se invade uma área em plena cidade com 12.000 pessoas na base do enfrentamento, sem negociações (e aí deveria ter entrado em ação Nilmário Miranda, antes da catástrofe). A operação foi declarada “Um sucesso”, verdadeiro escárnio, pois o legado de dois mortos, um com mais de uma dezena de perfurações e 55 feridos, alguns com gravidade, não autoriza tal comemoração da reintegração de posse de uma área que vale R$38 milhões. Certamente os cifrões falam mais alto.

Como a área não foi preservada para perícia, não foram recolhidas armas dos 2.000 policiais, nada será apurado e breve o caso cairá no esquecimento, como de praxe.

Vivemos uns tempos complicados, o governo não mostra competência numa área sequer, e o ministro-estrela, Antonio Palocci, limita-se a copiar a política econômica do governo anterior, uma herança maldita que veio bem a calhar.

Faltam remédios para a SIDA/AIDS no Brasil que é, ou era, referência no combate à doença. Problemas logísticos, alegam as autoridades, que nunca pensaram em manter estoques estratégicos. O triste é que foi noticiado que Luiz Carlos Bueno de Lima, assessor de Humberto Costa, ministro da saúde culpou-o pela falta de medicamentos anti-HIV; disse que ele ignorou um alerta sobre uma crise de abastecimento.

As únicas coisas originais neste governo são a sua dilacerante e crescente incompetência e a insensibilidade às críticas de seus governados.

Luiz Leitão
Administrador e articulista
lleitaodacunha@aol.com

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