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(Buenas - Maio - 2ª quinzena -  2005)

Por Osmar Fernande
ranchotche@radiomenina.com.br

Fandango

O gaúcho tem em seu linguajar várias palavras para denominar um baile: bailanta, bate-coxa, arrasta-pé, surungo e por aí afora. Cada região tem, podemos dizer falando como a “magrinhage”, a sua gíria, porém nenhuma palavra é tão utilizada quanto FANDANGO. Esta não tem região específica, é do “universo gaúcho” pra não dizer universal! Para que nossos alegres “fandangueiros” saibam um pouco mais sobre isso, trago hoje na coluna a sua história, a sua origem.

ORIGEM DA PALAVRA

A palavra fandango vem do espanhol e significa: dança espanhola, cantada e sapateada em compasso ternário (3/4) ou binário composto (6/8), andamento vivo, ao som da guitarra e das castanholas. Música para dança. Canto popular espanhol. Dança rural portuguesa sem canto. Baile popular, especialmente rural, ao som de sanfona, no qual se executam várias danças de roda e sapateadas, alternadas com estrofes cantadas, durante as quais a dança pára. Em alguns estados do norte e nordeste do Brasil significa também ato ou representação popular em torno da chegada de uma embarcação à vela em porto seguro, sinônimo também de barca, marujos, marujadas, chegança.

O PRIMEIRO FANDANGO RIOGRANDENSE

O primeiro fandango gaúcho foi formado pelo hibridismo dos lundus que desciam das capitanias brasileiras, ou seja, pela grande variedade de danças desenvolvidas pelos negros africanos, com o fandango que a Espanha enviava às cidades sul americanas. Isso resultou uma série de sapateados, misturados às cantigas brasileiras, às quais vieram se unir cantos europeus, como a tirana (muito popular na época). Essas cantigas eram o: tatu, o anu, a quero - mana, o balaio, o cará, o xará, o João Fernandes, a galinha morta, o Chico e outras. Os sapateados por sua vez, tiveram origem na Península Ibérica, mas naturalmente, haviam se adaptado ao Brasil, no ritmo brasileiro. Antes que o fandango desaparecesse de todo, para ceder às danças de par enlaçado, ainda houve a invasão, nos bailes campeiros do Rio Grande, das danças de conjuntos, como o solo inglês, as contradanças, ao lado das criações luso-brasileiras como o caranguejo.

O NOSSO FANDANGO

Como vocês podem ter observado aí “em riba”, nossos fandangos hoje não tem nada a ver com o que foi escrito aí e poderíamos defini-lo simplesmente como qualquer baile campeiro ou tradicionalista.

Foi no final do século XIX, que o primitivo fandango foi desaparecendo, quando foram banidos dos bailes campeiros os sapateados, as cantigas, as danças em conjunto pelas danças enlaçadas, como os chotes, as valsas, as mazurcas e depois as havaneiras (hoje vaneira)
É realmente muito importante que pelo menos, nossos fandangos, hoje tenham a consideração, o apreço devido pelas pessoas e entidades que os administram e os freqüentam. Que eles não deixem morrer a autenticidade, o respeito, a pureza, a simplicidade, a boa educação, o sentimento de igualdade, de solidariedade e muitos outros, que com certeza fazem parte desta grande família tradicionalista sulina, desta pátria gaúcha.

A singeleza das cantigas, das danças antigas dos primitivos fandangos, temos oportunidade de ainda vermos através das invernadas artísticas dos CTG´s, porém muito pouco, porque muitas não são valorizadas nem pelos próprios patrões e nem pelos MTG´s, que não apóiam financeiramente e culturalmente (deveriam oferecer mais palestras, seminários, convenções,porém são lembradas somente para o pagamento de anuidades, mensalidades e inscrições). Quem sabe no quesito cultura, a falta de ajuda é até por “desconhecimento de causa”!!!

Puxei sem querer o assunto relacionado às dificuldades das invernadas artísticas, mas já que veio na mente, que sirva de alerta também aos nossos bailes, que estão sendo desvirtuados a cada dia. Passam pelo modismo de gravadoras, de grupos musicais, pela ganância por dinheiro e principalmente por gente aproveitadora.

Será muito triste se dentro de alguns anos, tivermos que mendigar para que se promova um autêntico fandango gaúcho. Será triste, se tivermos que sobreviver implorando como as artísticas e terrivelmente triste, se alguém tiver que escrever uma coluna sobre FANDANGO GAÚCHO PRIMITIVO – PARTE DOIS... Que o colunista a escrever no jornal seja outro, porque pra mim seria morrer, “assuntar” sobre o fim de nossos fandangos gaúchos e dissertar sobre MAXIXE – A DANÇA DO POVO GAÚCHO!!! Que Deus não me “guasqueie” para falar sobre isso!

UM ABRAÇO, DO TAMANHO DO GARRÃO DO NOSSO BRASIL!

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