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POESIA (Buenas - Maio de 2006)

O gaúcho

Livre, ao relento,
Pobre, sem luxo,
N’asa do vento
Vive o gaúcho.

Quanto possui, traz consigo,
Dorme no chão sobre a grama,
Serve-lhe o poncho de abrigo,
A xerga da sela é cama.

Livre, ao relento,
Pobre, sem luxo,
N’asa do vento
Vive o gaúcho.

No banhado, na coxilha,
Onde pára, chega em casa;
Dá-lhe o churrasco a novilha,
Dos ossos arranja a brasa.

Livre, ao relento,
Pobre, sem luxo,
N’asa do vento
Vive o gaúcho.

Ainda não rompe a aurora,
Já no rancho o mate chupa;
Por estes campos afora,
Sempre a correr. Upa... Upa!...

Livre, ao relento,
Pobre, sem luxo,
N’asa do vento
Vive o gaúcho.

No rio é barco, navega,
Montado no seu cavalo;
No campo faísca e cega
Saltando por sanga e valo.

Livre, ao relento,
Pobre, sem luxo,
N’asa do vento
Vive o gaúcho.

Vence o ginete ligeiro
Na caça o veado arisco.
Tem as asas do pampeiro,
Tem o fogo do corisco.

Livre, ao relento,
Pobre, sem luxo,
N’asa do vento
Vive o gaúcho.

A ema veloz alcança,
Como um gigante, seu braço,
Que rijo maneia a trança
E longe arremessa o laço.

Livre, ao relento,
Pobre, sem luxo,
N’asa do vento
Vive o gaúcho.

José de Alencar

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