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ANDANÇAS
(Buenas - Maio de 2008)

por D. Machry


Em defesa da música do Sul

Há quem diga que o gaúcho peleador, aquele que não leva desaforo pra casa e que outrora fazia revolução por amor e em defesa da sua pátria e/ou território, só brigava em tempos que a temperatura lhe era adversa. Isto teria sido uma regra também para os gaúchos além fronteira, uruguaios e argentinos.

Digo isto porque esta máxima igualmente acontece na música aqui do sul. É no inverno que o gaúcho peleia sentimentalmente para defender sua música dos invasores e aí nascem canções, uma mais macanuda que a outra. Neste período também acontecem muitos dos grandes festivais e/ou encontros musicais, as barrancas como muitas vezes são chamados. Aqui entre nós temos a Sapecada da Canção Nativa que dispensa apresentações. Qualquer bugio já sabe, começaram a aparecer os primeiros pinhões para vender, encilhou o Pingo e subiu a serra para este grande encontro em Lages, que sempre acontece no período do feriado de Corpus Christi. E a Sapecadinha, como é carinhosamente chamada a edição regional, está cada ano melhor e hoje já classifica músicas que vão direto ao palco da final da grande Sapecada.

A menção feita sobre a intensa criação de músicas no período do frio, para defender o legado nativista e folclórico da grande nação gauchesca, da qual fizemos parte com muito orgulho, é uma realidade cada vez mais latente, uma vez que o inimigo que quer destruir o nosso patrimônio cultural está cada vez mais próximo, quando não entrincheirado, travestido de lobo em pele de cordeiro. É só olharmos com atenção em nossa volta. Muitos bons músicos estão por jogar a toalha dizendo que o nativismo puro não consegue mais pegar a cesta básica e custear o estudo da piazada. Lamentável.

E sabem onde também escutei semelhantes? Foi no Oeste paranaense. Lá estando a trabalho, tomei contato com a gauchada que se bandeou do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina para a região denominada de Municípios Lindeiros do Lago Itaipu. Neste feriado, estava acontecendo o Encontro das Águas, ou seja, uma barranca das três fronteiras, onde gaúchos, argentinos e paraguaios se reúnem para o sagrado ritual da criação de músicas nativas ou folclóricas como são denominadas nos países irmãos. Segundo os organizadores, o Encontro das Águas nasceu do instinto de preservação desta raiz cultural que une estes povos irmãos. Hoje a preocupação é ainda maior em defesa da constante ameaça dos grandes centros urbanos.

Como declaradamente apaixonado pelo Chamamé, uma das vertentes fortes entre a gente missioneira argentina e também dos vizinhos paraguaios me emocionei com o evento Encontro das Águas, mais uma iniciativa para servir de escudo em defesa da nossa música de raiz aqui do Sul maravilha.

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