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Ginete
Quem nasceu pra ser ginete
Tem a alma encomendada.
Fala e reza diferente,
Já sentiu o bufo quente
Da morte numa rodada.
Conhece pêlos e manhas,
Se é reiúno ou rufião.
Lombo, é banco de escola,
Tem um arzão de pachola
E sonhos de ser patrão.
Sabe os segredos das crinas
E os atáios pras virilhas.
Se imagina um Charrua,
Ou São Jorge, lá na lua
Quebrando queixo em coxilhas.
Quem nasceu pra ser ginete,
Tem o seu mundo num lombo.
Pois, é, upa!, nesta lida,
Dar tiamanhã para a vida
Na incerteza de um tombo.
Quando nasce um ginetaço,
Até o céu muda de cor.
É um rincho só nas coxilhas
E no meio das tropilhas,
Dá um verdadeiro pavor.
Quem é da lida, senhores,
Conversa com as leoronas.
Não sabe o que é fastio
E marca no assovio,
O cantar das querendonas.
Quem escolheu este ofício,
Já sabe o que lhe espera.
Algum piazote chorando
Junto da mãe, que viuvando,
Reza num rancho tapera.
Gilson Aguiar - Caminhos e Rondas - Poesia Crioula -
Págs. 71 e 72 |