CAPAEDITORIALCARTASMATÉRIANOTASCOZINHABUENAS PARANÁBUENAS RIO GRANDE DO SULFALANDO EM GAUCHISMOFUXICOSPOESIARAÍZES


FALANDO EM GAUCHISMO (Buenas - Maio/Junho  94)

Por Mário Arruda

Algumas considerações das festas de São João.
Existem as festas juninas comemoradas no Sul do Brasil ou em outras regiões e existem as festas juninas dos paulistas.
Há uma confusão muito grande sobre os usos e costumes dos caipiras e dos gaúchos, sendo que os principais envolvidos são os CTGs e as escolas. (J.C. Paixão Côrtes, São João na Tradição Gaúcha, P.A., Ed. Proletra Ltda., 1986, p. 5).
As comemorações de sentido religioso estão ausentes e sim bailes e chimarreadas, fugindo da autêntica manifestação junina. (J.C. Paixão Côrtes, São João na Tradição Gaúcha, P.A., Ed. Proletra Ltda., 1986, p. 31).
"Um número apreciável de orientadores escolares e professores de aula insistem em deturpar, injustificavelmente, a figura do caipira, além de inserir na festa o desabono as pessoas do Juiz de Paz, do Padre, do Delegado, dos padrinhos, etc., ridicularizando-os plasticamente em artificial e incorreto "casamento na roça", representado por grupos do meio urbano.
E o que vemos em certas festas caipiras?
É uma sátira do padre, aos símbolos da igreja, matéria de ensino em diferentes classes, nos educandários!
E a presença do delegado, numa sociedade normal, cabe zelar para o cumprimento dos bons costumes, da moral das comunidades e da tranqüilidade pública, como é apresentado? Lá está ele no "casório" de arma em punho, arbitrário, desrespeitoso, fazendo valer a "sua autoridade", à sua moda, acompanhado por um paspalho de um "escrivão".
E o nosso juiz de paz?
De que forma jocosa é configurado!
É a própria justiça, achincalhada, desmoralizada, completando o cenário de uma grande palhaçada infundada". (J.C. Paixão Côrtes, São João na Tradição Gaúcha, P.A., Ed. Proletra Ltda., 1986, p. 31-32).
Nas escolas se comemoram o dia das mães, das mulheres, mas quando comemoram São João, desprezam as mulheres pela maneira com que apresentam a noiva, muitas vezes com um travesseiro à cintura, representando um processo avançado de gestação. Enquanto as escolas e os meios de comunicação fazem campanha para preservação de dentes sadios, essas mesmas escolas se divertem com os dentes careados (pintados) das crianças nas comemorações de São João. (J.C. Paixão Côrtes, São João na Tradição Gaúcha, P.A., Ed. Proletra Ltda., 1986, p. 32).
"Pobre dos nossos alunos, de escolas e de uma sociedade que não sabe respeitar e dignificar as próprias figuras da comunidade em que vivem e desfigurar a singeleza da vida rural brasileira". (J.C. Paixão Côrtes, São João na Tradição Gaúcha, P.A., Ed. Proletra Ltda., 1986, p. 31-32).
"Sabemos que o caipira é um tipo humano representativo de uma região brasileira, assim como são o vaqueiro, o jangadeiro e o próprio gaúcho, merecendo portanto, como nosso irmão, o nosso respeito!". (J.C. Paixão Côrtes, Festas Juninas e dos Santos Padroeiros. Opúsculo, 1980, p. 4)
O caipira é um tipo humano característico do estado de São Paulo e que tem belas tradições regionais. (J.C. Paixão Côrtes, Festas Juninas e dos Santos Padroeiros. Opúsculo, 1980, p. 4)
"Se muitos deturpam a figura do caipira, tornando-a extremamente ridícula e até mesmo cômica, transformando-o em verdadeiro palhaço é falta de conhecimento do tipo verdadeiro. A imaginação jocosa não viu qualidades e virtudes que possui, ante às condições desfavoráveis dos eu existir". (J.C. Paixão Côrtes, Festas Juninas e dos Santos Padroeiros. Opúsculo, 1980, p. 4)
"Quando ao tipo humano, o caipira como já vimos, é bem distinto do gaúcho, não só na maneira de falar, com corruptelas originais, como no vestir, pois não usa bombacha, bota, espora, guaiaca, tirador, camisa lisa, chapéu de feltro, barbicacho, pala, boleadeiras, etc. Não vemos razão para confundir, como nos é difícil entender, também, o porquê de certos grupos ou certa gauchada desejarem, pura e simplesmente, acabar com as festas caipiras por este ou aquele motivo, julgando-as um "carnaval fora de época", um extravasamento de recalques ou uma ridicularização de costumes, com gente fantasiada de caipiras e vice-versa". (J.C. Paixão Côrtes, Festas Juninas e dos Santos Padroeiros. Opúsculo, 1980, p. 5)
"Não devemos ser contra a festa caipira, dentro dos princípios tradicionais e corretos. Devemos ser, sim, contrários à mistura de costumes de caipiras e gaúchos em festas juninas. E mais. Contra a pretensa substituição pura e simples da festa caipira por festas gauchescas. Se nós gaúchos, temos uma tradição e cultuamos, também os caipiras possuem a sua e a mesma deve ser respeitada, pela sobrevivência do folclore nacional, em suas puras manifestações". ( Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, Folk Festo e Tradições Gaúchas, Ed. Proletra Ltda, p. 23).
"João – Santo católico, primo de Jesus Cristo, nascido a 24 de junho, degolado no castelo de Mecheros, Palestina, a 29 de agosto do ano 31. Pregador de alta moral, aspero, intolerante, ascético, São João é festejado com as alegrias transbordantes de um deus amável e dionisíaco, com farta alimentação, músicas, danças, bebidas e uma marca tendência nas comemorações populares, adivinhações para casamento, banhos coletivos pela madrugada, prognóstico de futuro, anúncio da morte no curso do ano próximo. O santo, segundo a tradição, adormece durante o dia que lhe é dedicado tão ruidosamente pelo povo, através dos séculos e países. Se ele estiver acordado, vendo o clarão da fogueira acesa em sua honra, não resistirá ao desejo de descer do céu, para acompanhar a oblação, e o mundo acabará pelo fogo..." (Luís da Câmara Cascudo, Dicionário do Folclore Brasileiro, R.J. G. "revista dos Tribunais" S.A. 1962, p. 391-392).

DANÇA

Hoje em dia, aqui na serra, mais especificamente em Lages, está acontecendo uma grande confusão, no que se refere a interpretação dos ritmos gaúchos de fandango. O bugio, a vaneira, a rancheira, o xote e outros estão sendo dançados de maneira escandalosa, ridícula e sem nenhuma fundamentação. Alguns ditos professores de danças gaúchas, que estão pilchados não mais do que três anos, e que não sabem nada sobre pilcha, ganham muito dinheiro a custa de pessoas que se deixam influenciar, inventam modas em nossos ritmos tradicionais, coisas estrondosas e anormal dentro da tradição gaúcha. Não dá para frequentar um baile desses, você pode até se machucar, pois há muita violência pelos pares que estão dançando na sala; coitada das ditas prendas, no outro dia devem amanhecer os músculos distendidos. Os peões se atiram de todo comprimento, corcoveando e batendo o pé sem igual. Está na hora de parar com isso, vamos respeitar uma prenda e ser carinhoso com ela, se enlaçando e dançando suave, namorando um ao outro ou "curtindo" o ritmo da melodia fazendo com que os passos se desenvolvam conforme a característica da dança. Existem em nossa terra muitos gaúchos, desde crianças e até os mais veteranos, que podem perfeitamente demonstrar ou orientar como realmente se dança um ritmo gaúcho com uma prenda num salão.

POESIA

Autor: Aureliano de Figueiredo Pinto

Na noite escura, erma e silente,
A chuva mansa, fria fia,
enche de insônia a solidão.
E as horas rolam vagamente...
E os fios de chuva a chuva fia
para tecer a escuridão.

Rouco, monótono, com sono
conta o relório a antiga história
num melancólico refrão
e ressuscita do abandono
velhas legenda de memória.
- Recordação... Recordação...

Tristona a lâmpada recorta
sombras remotas do seu drama
nestes silêncios... Penas então,
que é a flor bizarra da hora morta
só abrindo as pétalas de flama
pelos jardins da solidão

E noutras, entretanto,
já floresceu loura e fremente
como as auroras do verão.
Mas nesta noite o tempo ausente
como esta chuva, longamente,
chove outra vez no coração

ARTÍSTICA

Foi realizada no dia 21 de abril de 94, na sede do MTG/SC uma reunião artística, estavam presentes posteiros regionais e as primeiras prendas regionais. Foi decidido que: os piquetes poderão participar dos concursos artísticos desde que seja preenchida a ficha de inscrição, por primeiro, do CTG do qual o piquete está filiado. Deverá ser feita a eleição de posteiro regional após 2 meses da realização do Congresso Gaúcho Barriga-Verde. Juntamente com o concurso de 1ª Prenda do MTG/SC, será realizado o concurso do Peão Barriaga-Verde. Os concorrentes deverão desenvolver as atividades da artística e da campeira. Outras decisões importantes também foram decididas.
Esta reunião foi considerada uma das melhores do MTG/SC nos últimos anos.

CAPAEDITORIALCARTASMATÉRIANOTASCOZINHABUENAS PARANÁBUENAS RIO GRANDE DO SULFALANDO EM GAUCHISMOFUXICOSPOESIARAÍZES