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GERAL (Buenas - Maio/Junho  94)

A gralha-azul e sua misteriosa história

A lenda da gralha-azul, ave símbolo da Festa Nacional do Pinhão, remete ao passado nos campos serranos de Lages, onde em suas inúmeras estâncias a vida tranqüila e pacata somente se alterava quando aconteciam as grandes festas, quermesses e casamentos. Aí, o belo cenário completava-se com gigantescos pinheiros. E uma curiosidade surpreendia os habitantes do local: inesperadamente surgiam pinheiros agrupados em partes das imensidões de campos. Por mais que buscassem os moradores do local não encontravam explicação para aquilo que chamavam de "milagre da natureza".
Isto aconteceu até o dia em que o povo serrano foi surpreendido por uma forte trovoada. Eles recolheram-se para o interior de suas casas para, perto do fogo de chão, lembrar orações e queimar palmas bentas. Muitos respeitosos a tempestade, negavam-se a observar a paisagem. Atitude que, contrariando a crença popular, foi tomada por um velho e calejado peão de estância.
Entre medo e suspense, acabou vendo uma cena que jamais havia presenciado, e que lhe seria inesquecível – um pinheiro gigantesco estirando seus galhos como se fossem braços para uma avezinha perdida no temporal. "Vem gralha-azul. Abriga-te. Eu te protegerei das chuvas". E vergando seus galhos, aconchegou uma assustada ave.

ESPANTO

Acordado, o cabloco foi chamar seus companheiros, mas um clarão nos céus o prendeu e uma voz lhe disse:
"Toma como exemplo o que acabas de ver e conta a todos quando encontrares", estupefato um tanto incrédulo, o velho passou a explicar às pessoas que era a gralha-azul a responsável pelo aparecimento dos pinheiros.
A gralha enterrava o pinhão para se alimentar durante o inverno. Esquecia do lugar onde os escondera, buscava outros locais, deixando na terra a semente de novos pinheiros. Fora num gesto de gratidão que o pinheiro se vergava para protegê-la. "Desde esse dia os pinheiros conservavam seus galhos vergados e os seus troncos mais retos e firmes, para lembrar seu gesto de aconchego e de amizade à ave perdida. Nem os ventos, nem o frio são capazes de derrubar suas folhas, eternamente verdes", contava o velho peão.

(Tradições Lendárias e Místicas de Lages, 1973)

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