GERAL (Buenas - Maio/Junho 94)Por Vilarino Wolff
Festa do Pinhão & sua história
Justiça seja feita. Não é mais possível dissociar a
Festa do Pinhão a imagem serena, voz calma, idéias claras e tipo bonachão que foi o seu
idealizador, Aracy Paim era desses tipos de fácil comunicação e muita criatividade.
Basta passar os olhos por seu currículo para perceber que esse perfil tranquilo e, na
verdade, uma conseqüência de temperamento. Seu íntimo, sua natureza, sua visão dos
fatos da vida o tornavam irrequieto, um homem sempre em busca de algo novo. Foi dessa
forma que deixou como herança para Lages essa contribuição extraordinária. A Festa do
Pinhão.
Pouco mais de vinte anos nos separam da sua primeira edição. Era prefeito de Lages o dr.
Juarez Furtado, em seu primeiro ano de administração. No Departamento Técnico de
Turismo Agilmar Machado e Aracy Paim dividiam as responsabilidades de buscar alternativas
para incentivo do turismo a partir das características da cidade. E Paim, alma gaudéria
dos campos riograndenses, era dono do pensamento que embasava essas novas alternativas nos
costumes da terra, em sua fisionomia marcadamente campesina, que acabou oferecendo ao
Brasil o turismo rural.
Ela, nasceu tímida, se comparada com a capacidade dos dias atuais. Seu espaço físico
era nada mais, nada menos, que o calçadão da praça João Costa. Suas pretensões não
iam muito além do comércio do pinhão e apresentações artísticas durante um final de
semana, atividades que trouxeram e mantiveram os lageanos na praça, juntamente com um
número não muito expressivo de forasteiros empolgados pelos apelos da Gralha Azul. Entre
esses, a primeira-dama do Brasil sra. Ernesto Geisel, que aparece em foto desta reportagem
recuperada de uma outra publicação.
A equipe também era tímida para a grandiosidade da idéia que se lançava. O próprio
autor destas linhas funcionava como coordenador de abastecimento do pinhão aos postos de
vendas. A cozinha funcionava nas oficinas da prefeitura, no bairro Coral. O fruto, cozido
em tonéis, era transferido de pá para grandes panelas de alumínio que chegavam ao
centro da cidade ainda fumegantes. Foi uma mão-de-obra danada para que não faltasse o
produto nas tendas da praça João Costa. E Aracy Paim comandava tudo.
O tempo passou. A semente lançada em 1973 encontrou solo fértil nas administrações
posteriores a de Dirceu Carneiro. Seu chamamento empolgou o Estado, espraiou-se pelo sul,
alcançou o Brasil. Não há nenhum exagero em afirmar que já está madura para atingir
seus objetivos de internacionalização. E é o que deve acontecer ainda na gestão de
Flávio Agostini à frente da Serratur, pois o apoio e o entusiasmo do atual prefeito
fazem dessa expectativa um projeto viável a curto prazo.
Dia desses repetiu-se, em Blumenau, o
que vem acontecendo em diversas praças do País. O lançamento da VI Festa do Pinhão.
Promovido nos salões Heidelberg, Frankfurt e Munique, do Hotel Himmelblau, na noite do
dia 6 de maio, o evento constituiu-se, em si, uma festa. A julgar por ele, sua
multiplicação nas capitais mais importantes do País, a VI Festa do Pinhão será de
longa memória. Ambiente muito bem composto, com a presença do Grupo Gaitaço mandando
ver as melhores músicas do gênero na interpretação sempre empolgante do James Michel,
grupo de danças tradicionalistas e seu colorido peculiar, o evento marcou época na terra
do Dr. Blumenau.
Autoridades que prestigiaram o acontecimento, entre os quais o prefeito Renato Vianna, o
vice-prefeito Vilson Souza (de Blumenau), o prefeito e vice de Lages, Fernando Agostini e
Cosme Polese, respectivamente, prestigiados pelo presidente da Embratur, Flávio de
Almeida Coelho, vivenciaram nesse ambiente manifestações da cultura serrana em seu mais
alto nível e incrível astral. Até os discursos, geralmente incompatíveis com o
ambiente festivo, foram bem recebidos. Ao contrário de discursos maçantes e vazios, via
de regra dissociados do momento em circunstância tais, as palavras de Renato Vianna, como
anfitrião, de Fernando Agostini, como promotor da festa, e Flávio Coelho, como
autoridade federal, foram práticos e claros, além de alvissareiros dentro dos objetivos
de cada área participante, inclusive os espectadores.
O Grupo Gaitaço deu um baile de interpretação. Cada integrante, como verdadeira peça
da fábrica de fazer música, demonstrou o quanto é salutar fazer arte por amor.
Já o grupo de danças dispensa comentários. Apresentação irreparável, tanto nas
danças de conjunto, quanto na chula ou na dança do facão, o Barbicacho Colorado
reprisou o que vem fazendo desde 1968 com muito sucesso.
A noite de lançamento em Blumenau foi, realmente, extraordinária. É de crer que assim
tem sido em todos os recantos onde se promove a Festa do Pinhão. Afinal, essa festa foi a
primeira de quantas se realizam hoje no Estado, antecedendo a Oktoberfest, a Fenarreco, a
Marejada e muitas outras criadas depois de 1973. Apesar de sua interrupção por algum
tempo, até que foi retomada na gestão de Paulo Duarte, a sua concepção foi se
delineando ao longo do tempo até atingir a maturidade com que hoje se realiza. Já não
é uma festa para Lages. É uma festa para o Brasil.
Tudo graças à idéia, irredutível de Aracy Paim, que lá de onde se encontra deve estar
aplaudindo o que acontece por aqui.
Enquanto isso, terminamos esta matéria com uma imagem muito feliz do prefeito Agostini,
em seu discurso: "A Festa do Pinhão não é uma festa de Lages. É uma festa para
os amigos de Lages". |