
(Buenas - Maio/Junho 94)
SC separada do Brasil
Pode ser até perigoso falar em separatismo depois de tudo
o que aconteceu e foi deturpado. O tema desta coluna, porém diz respeito à República
Juliana, proclamada em Laguna há 155 anos passados, declarando a maior parte do
território catarinense como integrante de uma república separada do Império Brasileiro.
No dia 29 de julho próximo, estaremos vivendo o 155º aniversário desse episódio, que
faz parte da Guerra Farroupilha, porém diretamente associado à vida catarinense. Por
isso, julgo muito importante o interesse dos nossos cetegês e das autoridades em geral em
assinalar essa data.
Tenho para mim que a República Juliana, embora tenha sobrevivido apenas 109 dias, contra
os nove anos de vida da có-irmã riograndense, reuniu nesse curto espaço de tempo,
quiça, episódios mais marcantes que os vividos em Piratini e Rio Pardo. A travessia dos
barcos de Garibaldi desde a Lagoa dos Patos até o Atlântico, conhecida
internacionalmente como "a epopéia garibaldina", semelhante à de Tróia, a
vitória marítima sobre o império em Laguna, no dia 22 de julho de 1839 e o surgimento
da primeira heroína brasileira, na pessoa de Ana Maria de Jesus Ribeiro Garibaldi
(Anita), foram marcantes e merecem um destaque especial, notadamente por parte dos
catarinenses.
É pena que tanto a República Juliana, quanto a última parte da Piratini, tenham sofrido
um grande desgaste, que a história parece estar debitando à conta de David Canabarro, um
caudilho não preparado para coordenar. Mas, sobre isso a gente fala noutra
ocasião.
O governo catarinense, em 1992, compreendendo a magnitude do episódio juliano, sancionou
a Lei nº 8.620 de 22/04/92, oficializando a "Semana Juliana", a ser comemorada
na primeira semana de agosto de todos os anos, delegando ao MTG/SC, à Secretaria da
Educação, Cultura e Desporto e às prefeituras municipais, a organização e a
orientação das festividades.
Tanto quanto estamos acostumados a rememorar a "Semana Farroupilha", devemos
levar em conta a extensão da luta dos farroupilhas em solo catarinense e passar a
assinalar também algum reboliço cultural para rememorar e valorizar a República
Juliana. E falo sobre isso para paranaenses, riograndenses e catarinense, de vez o "BUENAS
CHÊ" anda corcoveando também nos estados vizinhos.
O apelo que faço aos gaúchos vizindários de Santa Catarina objetiva reconhecermos,
todos, que naquele crucial momento vivido pelos farroupilhas, sem o porto de Rio Grande,
única saída para o mar e acusados de cambalachos com fructuoso Rivera, governante
uruguaio, de onde ainda podia chegar e pôr onde ainda podia sair algo
importado/exportado, a solução de Laguna se tornava vital. Nenhum governo da época
podia desprezar o comércio exterior, ainda mais estando em guerra. E Bento Gonçalves
sabia disso.
Ao destacar para laguna todos os marinheiros farrapos, reforçando por terra o seu poder
de combate, nas figuras de Canabarro e de Teixeira e seus "lanceiros negros", o
líder farrapo riograndense pretendeu jogar alto para consolidar o seu projeto
republicano. Hoje se pode avaliar os acertos e erros cometidos nessa gigantesca
empreitada. E os gaúchos atuais precisam tirar lições dessa página histórica, no
mínimo, para dizer ao mundo que o Brasil, o Sul do Brasil e o estado natal de Anita
Garibaldi muito se orgulham dela.
Anita e Santos Dumont são os únicos brasileiros a ganhar estátuas em praças
estrangeiras. Será que aí na sua cidade existe um cantinho para uma lembrança em hora
de Anita? Será que aí no seu cetegê existe um tempinho par dedicar à Anita? |