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ALMA DE GAÚCHO |
GERAL (Buenas - Outubro 2000)por D. Machry Sul mostra a força dos 3 estados Com o espírito desarmado, apesar das críticas sobre o gauchismo mais extremo que o sul, aproveitando os embalos das festas catarinenses, Oktoberfest, Fenachopp, Fenarreco, Schützenfest, Marejada e que tais, tempo em que alguns dos meus personagens deixam por alguns dias a pilcha pelo traje típico, lançar uma campanha pela irmandade das tradições. E de pronto busco um exemplo da participação dos três estados do Sul na recente Feira da ABAV, o maior evento da América Latina de comercialização do turismo. Pois foi nesta tal de ABAV, cuja 27ª edição coube a Bahia organizar por conta destes tal de 500 anos de independência (que diga-se de passagem estamos longe dela) que perdemos a maior oportunidade de nos mostrar como uma grande potência do sul. Se não vejamos, o stand do Rio Grande do Sul levou gente vestida a caráter, mas em meio a prendas e peões, haviam trajes que homenageavam os países de origem de muitos. Todo final de tarde da feira, ninguém menos que Neto Fagundes emprestava sua voz, ao vivo e a cores para interpretar os clássicos da tradição gaúcha. E ele Neto fazia questão de chamar junto a si os "italianos" para cantarem a música dos pampas. Estes italianos a que me referi, era um pequeno grupo que divulgava a região do vinho e interpretavam cantigas da terra da bota. Nossos irmãos do lado sul deram um banho em hospitalidade e ao final ainda brindavam o visitante com uma pequena cuia e um pacotinho de erva-mate. Bagual até no stand, um galpão crioulo. O Paraná seguiu outra linha mais arrojada arquitetonicamente falando, dando ênfase ao visual das cataratas, Vila Velha, etc., mas também haviam ucranianos trajados tipicamente, outros alemães, mas de um modo geral se mostraram mais formais. Um pouco mais adiante estava Santa Catarina com seu stand em enxaimel, imitando uma casa típica germânica com uma grande varanda. Aliás, alemão gosta de uma varanda que se enrrosca (sei pelos meus). Concorremos até com o vinho de Pinheiro Preto e as maçãs de São Joaquim fez tanto sucesso, que até os políticos entraram na disputa pela fruta do pecado bíblico. Mas foram as rainhas da Oktober e da Fenachopp que fizeram o grande sucesso, que ao lado de outras pessoas trajadas tipicamente fizeram a diferença, especialmente ao final da tarde quando a bandinha cantava vivas a Blumenau, a sua festa e a sua gente. O stand ostentava vários posters de praia, Serra do Rio do Rastro, a Centopéia com a cara simpática do meu amigo Mário Binder em close tocando sua gaita e um desses posters chamou particular atenção por mostrar uma tosquia de ovelha, chamando a atenção para a lida de campo na Serra e também o nosso turismo rural. E como lido a mais de 20 anos no turismo, o fato de termos elementos de extrema riqueza em comuns nos três estados do Sul, tenho sido um batalhador quase solitário por nos unirmos turisticamente para vender as nossas riquezas em conjunto. Não precisamos nem nos espelharmos no Nordeste que faz isto com maestria. Fixemo-nos no potencial cultural, onde encontramos italianos em todos os quadrantes, alemães idem, poloneses também, portugueses nem se fala e nos três estados temos uma teia fortíssima que é a tradição gaúcha. O patrão Victor Anderle não deixa de ser divulgador da Oktober por gostar e participar do movimento tradicionalista. O secretário de Turismo de Pomerode, com ou sem traje típico cumpre seu papel de divulgador da cidade mais alemão do Brasil, mas experimenta convidar o Maury para um fandango? E assim eu tenho exemplos e mais exemplos. Alias não é de hoje que vez por outra a figura do Ingo Penz aparece nos meus comentários, porque de fato ele é a personificação desta força múltipla. Embora tivesse recebido muitas críticas ao meu comentário sobre o caráter exclusivista dos músicos riograndenses na última edição do BUENAS, não posso deixar de registrar a beleza que foi na ABAV o Neto Fagundes, que tem nome e até programa de TV, chamar para o palco seus conterrâneos trajados tipicamente de italianos para juntos cantarem os clássicos do gauchismo. E se tivéssemos num único stand, o Sul unido, tenho certeza que ele falaria o mesmo, chamaria os alemães de Santa Catarina e os poloneses do Paraná para participar desta festa cívica. Pois foi isto mesmo que acabou acontecendo no stand do Rio Grande do Sul na ABAV. Uma festa cívica. Neto Fagundes, esperamos você para tomarmos aquele chopp amigo e que seja para breve! |
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