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GERAL
(Buenas - Outubro 2000)

Por Dr. João Severo de Lima Júnior

Cavalgando se vai...
(continuação)

T

ratamos na edição anterior, de contar o início de uma verdadeira história vivida por nós, como integrante do Grupo Cavaleiros da Noite, que tivemos a grata satisfação de fundar oficialmente em 9 de março de 1985.
Para quem não leu a edição passada, vale lembrar que nosso objetivo é o de traduzir em relatos, a fiel história que estamos ajudando a fazer, para evitar que no futuro, ou ainda neste mesmo presente, alguém tente subverter a ordem dos fatos reais, como comumente acontece.
Escrevíamos no final daquela edição que...:
"... Passado o entrave, dancei duas marcas com uma senhora de meia idade e já de cabelos alvos, que havia levado todas as suas filhas pela primeira vez no baile e depois sem que meu compadre visse, fui ao encontro do dito alemão, e lhe pedi que guardasse minha adaga, pois de fato ali tinha ido para me divertir sadiamente com meus amigos e jamais pensei em desagradar quem quer que fosse.
Não sabia eu, que o pior estava por vir".
Pois bem. Foi então, que depois de guardada a faca e furado a sola da bota de tanto dançar, já bastante apaixonados por Treze Tílias, se iam 4 horas da manhã.
Já estávamos esquecendo o compromisso do dia seguinte, que era mais ou menos uns 35 km de cavalgada, quando o compadre Luiz me chamou a atenção de que tínhamos que ir embora.
Como lhes contei na edição passada, nós tínhamos ido ao dito baile montados na carroceria de um dos caminhões boiadeiros o que naquela altura da madrugada certamente não seria uma boa condução para voltarmos, pois suados do baile, enfrentaríamos no mínimo, um sereno de lascar.
Já o compadre Luiz, que era conhecido no lugar, aceitou um convite de um fazendeiro local e se foi de carro, não lembrando que nós não sabíamos o caminho de volta, e o que é pior nem mesmo o nome do local onde deveríamos dormir. Sabíamos apenas que estávamos em Treze Tílias, o Tirol Brasileiro.
Preocupado em pegar minha faca deixada na portaria com o alemão grandalhão e também me despedir dos amigos que lá fizemos, deixei que o velho compadre se fosse sem nós.
Começava assim um grande sufoco.
Subimos no caminhão, dirigido pelo Bio Salles, e rumamos pela estrada no sentido oposto ao do referido baile, até que depois de uns bons 5km encontramos uma bifurcação na estrada onde o Bio parou e perguntou prá bagaceira se dali para frente era pela direita ou pela esquerda.
Bem, os mais sóbrios em completo desacerto, depois de muito discutir, influenciaram o motorista a pegar a estrada da direita, que por sua vez nos levou a um lugar ainda mais escuro e parecido com o que havíamos deixado para trás. Já eram aproximadamente 5 horas da manhã e a dúvida voltou-nos quando deparamos com outra bifurcação, que causou nova discussão, entre aqueles que como eu, ainda não tinham adormecido na serragem do assoalho do boiadeiro.
Não havia viva alma por aqueles lados e a escuridão era total, dando-nos a única certeza de que estávamos perdidos e mal pagos.
Prá piorar, sem conseguir ver qualquer estrela que nos pudesse fixar um rumo, começou a garoar, o que fez com que os bêbados, que dormiam no fundo do caminhão acordassem e iniciassem uma série de algazarras, dificultando ainda mais nossa localização.
Também depois de muito discutir, já com alguns desesperados, decidimos pegar à via que apontava à esquerda, acatando a opinião da maioria, que assim decidia somente porque anteriormente pegamos para a direita.
Erramos novamente!
Nos perdemos ainda mais, até que pudemos assim constatar, após avistarmos uma casinha onde havia uma luz acesa, depois de perder a conta de quantos quilômetros já havíamos rodado.
As escruzilhadas iam se repetindo à nossa frente, para desespero geral.
A sorte que o Bio havia abastecido o caminhão e que a autonomia deste era grande. Constatamos então, com uma senhora que nos atendeu na dita casinha que estávamos deixando o município de Água Doce, já rumando em direção à Palmas no estado do Paraná.
Molhados, sedentos e com uma fome de matar qualquer um, aceitamos o conselho daquela senhor a e rumamos até a próxima e derradeira encruzilhada, onde havia um boteco de beira de estrada.
Quando lá chegamos, já com o dia clareando, fomos informados de que não havia nada para comer e sem muitos rodeios, mesmo com uma dor de cabeça daquelas, fomos obrigados a devorar o estoque de cerveja, que além da pinga era só o que restava por aquelas paragens.
Como o Bio não bebia naquela época, foi possível entender bem o conselho de um velhinho que minuciosamente nos esclareceu como deveríamos fazer para sair daquele lugar, que de dia é maravilhoso, mas à noite é um breu.
O pior de tudo àquelas alturas, eram os 35km faltantes da cavalgada que nos esperava, onde o resto do pessoal já estava "acendendo vela" e "encomendando caixão", achando que "a nossa alma estava encomendada", mesmo sem saber, que já havíamos feito cerca de 70km na carroceria do Boaideiro do Salles.
É mole ou querem mais?
Prometo-lhe que na próxima edição sigo contando poucas e boas deste meio onde CAVALGANDO, SE VAI....

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