
Por Karla Souza
O Amor e a Liberdade
Os relacionamentos amorosos devem ter como base
a liberdade individual de cada um. Pessoas livres têm potencialidades maiores para
experimentar relações mais conscientes, gratificantes e duradouras. Quando as pessoas
entendem que relacionar-se amorosamente com alguém não significa fechar-se para o mundo,
elas transformam suas maneiras de amar e viver.
Saber respeitar, entender e aceitar o espaço individual do parceiro (a) é de vital
importância em qualquer relação. Nos relacionamentos muito fechados, onde não existe
espaço para que cada pessoa possa realizar seus projetos, seus sonhos e desejos pessoais,
a falta de individualidade, acaba trazendo muita frustação para ambos.
Em uma relação responsável se subentende que o companheiro (a) é uma pessoa livre, que
tem direitos e vontades próprias. é importante que a pessoa se sinta aceita e amada para
que consiga expressar seus sentimentos e desejos.
Liberdade e amor devem andar sempre juntos, pois se nutrem mutuamente. Quando alguém dá
amor, mas não oferece liberdade, faz com que esse amor, aos poucos, vá perdendo sua
capacidade de pulsar.
Sentimentos de apego e insegurança limitam a capacidade de amar, fazendo com que o casal
se torne escravo de seus próprios medos. A pessoa que não tem espaço suficiente para
realizar as coisas que gosta, também não oferece ao companheiro (a), oportunidades para
crescer e ser livre.
O resultado final de uma relação como esta, é uma grande decepção que se acumula
durante os anos de convívio. Exemplos não faltam, existem casos de mulheres que tiveram
que abandonar suas carreiras profissionais em prol de seus casamentos, simplesmente por
medo de serem rejeitadas pelo marido. Também há homens que deixaram seus amigos ou
hobbies porque suas esposas não aceitavam tal conduta.
O que se vê, são homens e mulheres deixando de serem eles mesmos para agradar o outro.
Esses casais se limitam, se podam e aniquilam suas próprias identidades.
Indivíduos que vivem relacionamentos baseados em apego e dependência, não conseguem
ultrapassar as fronteiras do medo, da carência afetiva e da submissão. É preciso
coragem e muito amor para estimular o parceiro na realização de seus sonhos, o que
resultará em relações duradouras e prazerosas para ambos.
Por Maury Braga Gutierrez
Psicólogo Clínico, graduado pela PUC-RS;
Licenciado em Educação Física pela UFRGS;
Especializado em Terapia Floral.
Sexualidade na terceira idade: mitos x tabus
Adriana Ferreira Silva
Psicóloga, Especialista
em Saúde e Trabalho pela UFGRS,
O ser humano é um ser sexual desde o nascimento até a
morte. É capaz de sentir pulsões eróticas em qualquer que seja a idade.
Com o avançar dos anos, podem ocorrer alterações em nível físico e psíquico, com
maior ou menor intensidade; porém sem jamais desaparecer. O envelhecer, no entanto, traz
muitas angústias e preocupações ao indivíduo.
Muitos dos problemas com os quais se deparam os idosos, ocorrem devido a bloqueios
psicológicos da própria família, dos amigos, da religião; afetando suas atitudes
perante a vida sexual. Quem vê preconceito na atividade sexual dessa faixa etária deve
procurar informações a respeito, pois a sexualidade persiste durante toda a vida, exceto
em casos de doença. Segundo SUPLICY (1985), o sexo com amor propicia ao ser humano uma
experiência de plenitude semelhante a da criança no ventre da mãe. Esta busca de
unidade, inerente ao ser humano é insaciável, e só é encontrada durante a troca de
carícias. O sentimento de transcendência obtido dessa fusão durante o ato sexual com o
ser amado, talvez seja a experiência mais próxima da felicidade.
"Velhice não quer
dizer renúncia ao amor, pois nunca é tarde demais para amar".
(E. Mira Y Lopes, 1961) |
A diversidade de cada relação amorosa depende do
tipo de vínculo que cada um dos parceiros é capaz de estabelecer. A sexualidade de cada
casal varia a partir do tipo de relação amorosa que se estabelece, compreendendo uma
troca que é aprofundada numa intimidade afetiva que leva a confiança mútua. Essa
intimidade é manifesta através do sexo, do prazer e do companheirismo, ocasionando
cumplicidade e plenitude interna nos parceiros.
A maneira como o indivíduo enfrenta as mudanças e limites causados pela idade é que
determina sua capacidade de usufruir o sexo. Se a pessoa tem uma boa auto-estima , ela
pode encarar as mudanças como normais e esperadas. No que se refere ao homem, sua
capacidade como amante não depende da firmeza da ereção ou da freqüência do ato
sexual, assim como a mulher, que ao ter um parceiro afetivo e que a deseje sexualmente
pode viver intensamente sua sexualidade.
As mulheres de terceira idade enfrentam um preconceito ainda maior do que os homens, no
que se refere ao exercício de sua sexualidade. Nada se espera delas além de que tratem
bem os sobrinhos, cuidem dos netos e fiquem usufruindo da falta de compromissos. Contudo
poderiam viver ainda 20 anos ou mais e seria absurdo abdicar de seus próprios desejos.
Principalmente nesta fase do desenvolvimento em que não existe mais o risco de gravidez,
em que a mulher está amadurecida, sabe do que gosta e o que quer, e tem a chance de ser
mais independente do que jamais foi.
Existe uma falsa idéia de que a pessoa idosa não tem desejo ou vida sexual. As pessoas
negam-se a aceitar que o idoso possa querer namorar; esquecem que a sexualidade não é
só sexo, existe também toda uma afetividade que é essencial ao ser humano. O potencial
para prazer erótico parece começar antes do nascimento e não se extinguir até a morte.
Obviamente existem mudanças biológicas associadas a idade, pois, aos 60 anos funcionamos
de forma diferenciada dos 18 anos de idade, porém obtém-se o mesmo prazer.
A maneira como cada pessoa enfrenta a velhice é fruto da influência de valores,
informações e conceitos do social. Em nossa sociedade existem preconceitos contra o sexo
na velhice, onde muitos acreditam que não seja viável ou até mesmo que seja imoral.
Esses pensamentos podem ocasionar conflitos nessa idade provocados pela necessidade de
satisfação sexual, por um lado, e o sentimento de culpa por tais desejos, por outro
lado.
"Velhice não quer dizer renúncia ao amor, pois nunca é tarde demais para
amar". (E. Mira Y Lopes, 1961)
A vida sexual transforma-se constantemente ao longo de toda a evolução, porém adota
valor diferenciado a cada momento de nosso ciclo. Preservar a pulsão característica de
todas as fases já vividas é fundamental para que se mantenha a criança, o jovem, e o
adulto presentes na terceira idade.
Tais opiniões confirmaram-se a partir de uma pesquisa realizada em Porto Alegre com dez
casais pertencentes a essa faixa etária. Os sujeitos da pesquisa relataram, em sua
maioria, desejar o ato sexual por proximidade física e envolvimento emocional, o que nos
leva a inferir que os mesmos considerem o prazer do ato como secundário na relação.
Acreditam que os problemas sexuais estejam relacionados com problemas de saúde e idade
avançada.
Na mulher idosa, ou seja, no período que concerne a menopausa ou pós-menopausa, e no
homem idoso em fase de climatério, sabe-se que as alterações sexuais na velhice estão
diretamente relacionadas com as experiências e interesse sexual manifesto desde sua
iniciação sexual na puberdade. Sendo assim tais fatores influenciam atualmente na
freqüência sexual desses casais. Os dez casais foram unânimes ao referir sua
satisfação e realização com o parceiro, o que relaciona-se diretamente com o fato de
se sentirem, em sua maioria, tranqüilos após o ato sexual. Com o passar do tempo, alguns
referiram melhora na sua prática sexual no que diz respeito a qualidade e não
quantidade, pois a freqüência mostrou-se em menor escala.
No que se refere a liberdade e abertura em dialogar sobre sexo com o parceiro,
verificou-se a existência de uma divisão de opiniões nos sujeitos entrevistados. Metade
destes acreditam possuir um bom diálogo sobre sexo e consequentemente, é possível
inferir, sobre a existência de uma maior intimidade e cumplicidade entre os cônjuges.
Já a outra metade dos sujeitos que não dialoga sobre sexo, pode nos conduzir a
afirmativa de que estes casais enfrentem dificuldades na relação sexual com o parceiro.
Pode-se concluir finalmente, que a pessoa idosa sempre tem interesse sexual, sua
capacidade declina, porém nunca desaparece. |