CAPAEDITORIALCARTASMATÉRIASANDANÇASDIVISÃO DO NORTEALMA DE GAÚCHO
HERMANANDO FRONTERASFUXICOSBUENAS MULHERCOZINHAPIADASPOESIAS

  
mulher.JPG (27168 bytes)
Por Karla Souza

 

Comportamento

O Amor e a Liberdade

Os relacionamentos amorosos devem ter como base a liberdade individual de cada um. Pessoas livres têm potencialidades maiores para experimentar relações mais conscientes, gratificantes e duradouras. Quando as pessoas entendem que relacionar-se amorosamente com alguém não significa fechar-se para o mundo, elas transformam suas maneiras de amar e viver.
Saber respeitar, entender e aceitar o espaço individual do parceiro (a) é de vital importância em qualquer relação. Nos relacionamentos muito fechados, onde não existe espaço para que cada pessoa possa realizar seus projetos, seus sonhos e desejos pessoais, a falta de individualidade, acaba trazendo muita frustação para ambos.
Em uma relação responsável se subentende que o companheiro (a) é uma pessoa livre, que tem direitos e vontades próprias. é importante que a pessoa se sinta aceita e amada para que consiga expressar seus sentimentos e desejos.
Liberdade e amor devem andar sempre juntos, pois se nutrem mutuamente. Quando alguém dá amor, mas não oferece liberdade, faz com que esse amor, aos poucos, vá perdendo sua capacidade de pulsar.
Sentimentos de apego e insegurança limitam a capacidade de amar, fazendo com que o casal se torne escravo de seus próprios medos. A pessoa que não tem espaço suficiente para realizar as coisas que gosta, também não oferece ao companheiro (a), oportunidades para crescer e ser livre.
O resultado final de uma relação como esta, é uma grande decepção que se acumula durante os anos de convívio. Exemplos não faltam, existem casos de mulheres que tiveram que abandonar suas carreiras profissionais em prol de seus casamentos, simplesmente por medo de serem rejeitadas pelo marido. Também há homens que deixaram seus amigos ou hobbies porque suas esposas não aceitavam tal conduta.
O que se vê, são homens e mulheres deixando de serem eles mesmos para agradar o outro. Esses casais se limitam, se podam e aniquilam suas próprias identidades.
Indivíduos que vivem relacionamentos baseados em apego e dependência, não conseguem ultrapassar as fronteiras do medo, da carência afetiva e da submissão. É preciso coragem e muito amor para estimular o parceiro na realização de seus sonhos, o que resultará em relações duradouras e prazerosas para ambos.

Por Maury Braga Gutierrez
Psicólogo Clínico, graduado pela PUC-RS;
Licenciado em Educação Física pela UFRGS;
Especializado em Terapia Floral.


Sexualidade na terceira idade: mitos x tabus

Adriana Ferreira Silva
Psicóloga, Especialista
em Saúde e Trabalho pela UFGRS,

O ser humano é um ser sexual desde o nascimento até a morte. É capaz de sentir pulsões eróticas em qualquer que seja a idade.
Com o avançar dos anos, podem ocorrer alterações em nível físico e psíquico, com maior ou menor intensidade; porém sem jamais desaparecer. O envelhecer, no entanto, traz muitas angústias e preocupações ao indivíduo.
Muitos dos problemas com os quais se deparam os idosos, ocorrem devido a bloqueios psicológicos da própria família, dos amigos, da religião; afetando suas atitudes perante a vida sexual. Quem vê preconceito na atividade sexual dessa faixa etária deve procurar informações a respeito, pois a sexualidade persiste durante toda a vida, exceto em casos de doença. Segundo SUPLICY (1985), o sexo com amor propicia ao ser humano uma experiência de plenitude semelhante a da criança no ventre da mãe. Esta busca de unidade, inerente ao ser humano é insaciável, e só é encontrada durante a troca de carícias. O sentimento de transcendência obtido dessa fusão durante o ato sexual com o ser amado, talvez seja a experiência mais próxima da felicidade.

"Velhice não quer dizer renúncia ao amor, pois nunca é tarde demais para amar".
(E. Mira Y Lopes, 1961)

A diversidade de cada relação amorosa depende do tipo de vínculo que cada um dos parceiros é capaz de estabelecer. A sexualidade de cada casal varia a partir do tipo de relação amorosa que se estabelece, compreendendo uma troca que é aprofundada numa intimidade afetiva que leva a confiança mútua. Essa intimidade é manifesta através do sexo, do prazer e do companheirismo, ocasionando cumplicidade e plenitude interna nos parceiros.
A maneira como o indivíduo enfrenta as mudanças e limites causados pela idade é que determina sua capacidade de usufruir o sexo. Se a pessoa tem uma boa auto-estima , ela pode encarar as mudanças como normais e esperadas. No que se refere ao homem, sua capacidade como amante não depende da firmeza da ereção ou da freqüência do ato sexual, assim como a mulher, que ao ter um parceiro afetivo e que a deseje sexualmente pode viver intensamente sua sexualidade.
As mulheres de terceira idade enfrentam um preconceito ainda maior do que os homens, no que se refere ao exercício de sua sexualidade. Nada se espera delas além de que tratem bem os sobrinhos, cuidem dos netos e fiquem usufruindo da falta de compromissos. Contudo poderiam viver ainda 20 anos ou mais e seria absurdo abdicar de seus próprios desejos. Principalmente nesta fase do desenvolvimento em que não existe mais o risco de gravidez, em que a mulher está amadurecida, sabe do que gosta e o que quer, e tem a chance de ser mais independente do que jamais foi.
Existe uma falsa idéia de que a pessoa idosa não tem desejo ou vida sexual. As pessoas negam-se a aceitar que o idoso possa querer namorar; esquecem que a sexualidade não é só sexo, existe também toda uma afetividade que é essencial ao ser humano. O potencial para prazer erótico parece começar antes do nascimento e não se extinguir até a morte. Obviamente existem mudanças biológicas associadas a idade, pois, aos 60 anos funcionamos de forma diferenciada dos 18 anos de idade, porém obtém-se o mesmo prazer.
A maneira como cada pessoa enfrenta a velhice é fruto da influência de valores, informações e conceitos do social. Em nossa sociedade existem preconceitos contra o sexo na velhice, onde muitos acreditam que não seja viável ou até mesmo que seja imoral. Esses pensamentos podem ocasionar conflitos nessa idade provocados pela necessidade de satisfação sexual, por um lado, e o sentimento de culpa por tais desejos, por outro lado.
"Velhice não quer dizer renúncia ao amor, pois nunca é tarde demais para amar". (E. Mira Y Lopes, 1961)
A vida sexual transforma-se constantemente ao longo de toda a evolução, porém adota valor diferenciado a cada momento de nosso ciclo. Preservar a pulsão característica de todas as fases já vividas é fundamental para que se mantenha a criança, o jovem, e o adulto presentes na terceira idade.
Tais opiniões confirmaram-se a partir de uma pesquisa realizada em Porto Alegre com dez casais pertencentes a essa faixa etária. Os sujeitos da pesquisa relataram, em sua maioria, desejar o ato sexual por proximidade física e envolvimento emocional, o que nos leva a inferir que os mesmos considerem o prazer do ato como secundário na relação. Acreditam que os problemas sexuais estejam relacionados com problemas de saúde e idade avançada.
Na mulher idosa, ou seja, no período que concerne a menopausa ou pós-menopausa, e no homem idoso em fase de climatério, sabe-se que as alterações sexuais na velhice estão diretamente relacionadas com as experiências e interesse sexual manifesto desde sua iniciação sexual na puberdade. Sendo assim tais fatores influenciam atualmente na freqüência sexual desses casais. Os dez casais foram unânimes ao referir sua satisfação e realização com o parceiro, o que relaciona-se diretamente com o fato de se sentirem, em sua maioria, tranqüilos após o ato sexual. Com o passar do tempo, alguns referiram melhora na sua prática sexual no que diz respeito a qualidade e não quantidade, pois a freqüência mostrou-se em menor escala.
No que se refere a liberdade e abertura em dialogar sobre sexo com o parceiro, verificou-se a existência de uma divisão de opiniões nos sujeitos entrevistados. Metade destes acreditam possuir um bom diálogo sobre sexo e consequentemente, é possível inferir, sobre a existência de uma maior intimidade e cumplicidade entre os cônjuges. Já a outra metade dos sujeitos que não dialoga sobre sexo, pode nos conduzir a afirmativa de que estes casais enfrentem dificuldades na relação sexual com o parceiro.
Pode-se concluir finalmente, que a pessoa idosa sempre tem interesse sexual, sua capacidade declina, porém nunca desaparece.

CAPAEDITORIALCARTASMATÉRIASANDANÇASDIVISÃO DO NORTEALMA DE GAÚCHO
HERMANANDO FRONTERASFUXICOSBUENAS MULHERCOZINHAPIADASPOESIAS